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Ex-Faria Lima Investe R$ 1,5 Mi Para Escalar Carbono na Amazônia
forbes.com.br ⌚ 28/11/2025

Forbes, a mais conceituada revista de negócios e economia do mundo.


O administrador e ex-Faria Lima Pedro Plastino, 30 anos, e Rodrigo Brandão, 45 anos, ex-BNDES aparecem como protagonistas de um projeto que pretende traduzir a floresta em pé em renda e governança local. Com um investimento próprio de R$ 1,5 milhão, os ex-gestores do mercado financeiro e do banco estatal anunciaram com exclusividade para a Forbes o lançamento da empresa Jóias Ecológicas, que passa a atuar no mercado de carbono em comunidades na Amazônia.


“Por que escolhemos este nome? Joia, por definição, é uma área pública de reservas florestais. Ela é considerada uma joia ecológica, uma joia da coroa. É onde você tem a maior biodiversidade, é onde você tem as comunidades mais protegidas”, diz Plastino.


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Com um núcleo técnico formado por ex-servidores do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade ICMBio, a empresa chega ao campo com 740 mil hectares sob gestão, entre florestas e manguezais, e tem meta ambiciosa de 2 milhões de hectares até 2026. Ano que vem também marcará a primeira venda pública de créditos da empresa, ainda no primeiro semestre de 2026.


“O nosso faturamento, eu gostaria de falar 1 milhão de toneladas de créditos de carbono [por ano]. Para bom entendedor, meia palavra basta. Então 1 milhão de toneladas é muita coisa”, diz Plastino.


Mercado de carbono regulado e voluntário


A fala de Plastino tem sentido e está bem relacionada aos mercados de carbono existentes: o regulado e o voluntário. O regulado ocorre dentro de um sistema estruturado e obrigatório chamado de ETS (Sistema de Comércio de Emissões, na sigla em inglês), onde são estabelecidas cotas de emissão ou permissões. Eles geram 67% das receitas de carbono regulado, US$ 69,1 bilhões (R$ 370,2 bilhões), enquanto o voluntário responde por 33%, US$ 33,1 bilhões (R$ 177,3 bilhões), segundo estudo da consultoria PwC Brasil.


Um grande exemplo do agro no mercado regulado são os CBIOs, os “Créditos de Descarbonização”, o principal instrumento da Política Nacional de Biocombustíveis (RenovaBio), e nos quais produtores de cana recebem de distribuidores de combustíveis por tonelada de carbono sequestrado. Cerca de 42 milhões de CBios foram emitidos em 2024, um aumento de 23% em relação a 2023, o que movimentou R$ 3,9 bilhões, segundo o Ministério de Minas e Energia.


Já no mercado voluntário de carbono, que depende da livre iniciativa de redução das emissões de GEE, empresas e indivíduos podem compensá-las através da aquisição de créditos de carbono gerados por projetos e iniciativas de redução ou remoção de gases de efeito estufa.


O valor do crédito de carbono no mercado voluntário é altamente variável, com preços que podem ir de aproximadamente de US$ 5 (R$ 26,8 na cotação atual) a US$ 24 (R$ 128,6) por tonelada de CO2, mas podem até ultrapassar US$ 170 (R$ 910,6) para créditos baseados em tecnologia.


Propósito em mercado desafiador


É um mercado mais desafiador, mas para Plastino, tem um propósito. “O crédito de carbono é o início da conversa, não o fim”, diz o executivo. O objetivo prático da Joias Ecológicas é repartir resultados: 70% dos resultados líquidos retornam às comunidades locais, para fortalecer governança e financiar água, energia, conectividade e cadeias produtivas locais, da castanha ao pirarucu.


A empresa possui três bases, duas no Pará (Belém e Santarém) e uma em Rondônia (Porto Velho).


“Lá em Belém, estamos olhando para o que é chamado de “Salgado Paraense”, desenvolvendo projetos de manguezais. A gente quer ter 200 mil hectares de conservação de manguezais, de onde saem crédito de carbono azul (Blue Carbon), que é o mais dito no mercado de carbono, que é um crédito super premium”, diz Brandão.


Os outros dois núcleos são núcleos de Floresta Amazônica. A meta é transformar a conservação em um ativo econômico que gere dignidade e continuidade territorial para povos extrativistas e ribeirinhos, e não apenas para vender as toneladas de carbono.


Carbono comunitário e bioeconomia


A lógica operacional começa com a geração de créditos de carbono com integridade técnica, com certificação internacional da americana Verra, sediada em Washington, a capital federal dos Estados Unidos, e que segue o CCB Standards (Padrões de Clima, Comunidade e Biodiversidade, na tradução livre), um conjunto de regras para projetos de gestão de terras que geram benefícios líquidos para o clima, as comunidades locais e a biodiversidade.


Além de entregar grande pare dos resultados para investimentos comunitários, a empresa quer ativar cadeias da bioeconomia, agregando valor ao produtos locais como açaí, pirarucu, caranguejo e castanha.


Plastino dá exemplo prático, com o pescado. O pirarucu é vendido a R$100 o quilo em centros urbanos, mas, em comunidades, o mesmo pescado vale apenas R$ 8 o quilo. Se a cadeia for organizada e houver infraestrutura (como frio e logística), é possível multiplicar o preço pago ao extrativista e gerar impacto direto na renda.


“Imagine o poder que podemos proporcionar ao agregar mais valor às cadeias produtivas tradicionais nesses lugares”, diz Plastino.


O lado do “B” do mercado voluntário


O mercado voluntário global tem crescido, mas sofre com desafios de integridade e com risco de greenwashing, uma estratégia de marketing enganosa onde uma empresa se promove como mais sustentável e ecológica do que realmente é, com o objetivo de melhorar sua imagem pública e atrair consumidores.


Essa prática, muito alertada na COP30, inclui o uso de publicidade falsa, embalagens que sugerem responsabilidade ambiental sem fundamentos reais, e a omissão de práticas prejudiciais ao meio ambiente.


É justamente o problema que os fundadores dizem enfrentar com dupla abordagem: certificação robusta e diligência sobre os compradores (avaliar se eles têm metas reais de redução).


“Nossos projetos seguem a nova metodologia da Verra, carregam também a certificação CCB, que avalia de forma integrada clima, comunidade e biodiversidade, e respeitam o marco legal brasileiro de carbono comunitário”, diz Plastino.


“Além disso, a companhia segue regras que tratam de consentimento prévio das comunidades e repartição justa de benefícios”.


Mercado promissor à vista


Se a Joias chegar aos 2 milhões de hectares e ao mercado, o impacto social direto pode alcançar dezenas de milhares de pessoas em territórios extrativistas. Os benefícios planeados vão desde serviços básicos, como água, eletricidade, internet, à ativação de cadeias produtivas com maior valor agregado.


E tem fundamento de ser positiva esta história, pois, segundo a consultoria empresarial americana McKinsey & Company, a demanda por créditos de carbono deve aumentar significativamente, impulsionada pela relevância na agenda ESG, sigla em inglês para Ambiental, Social e Governança que é um conjunto de critérios usado para avaliar o desempenho de empresas em relação à sustentabilidade e responsabilidade social.


Se há dez anos o mercado voluntário de carbono atingia US$ 200 milhões no mundo, em 2021 chegou à marca de US$ 1 bilhão, e tudo caminha para que salte para US$ 50 bilhões em 2030, segundo a McKinsey.


Nesse contexto, o Brasil se destaca como protagonista, já que concentra 15% do potencial global de captura de carbono por meios naturais, com chances de atender a 48,7% da demanda global, de acordo com estudo realizado pela consultoria.


O mercado voluntário ganha até mais fôlego com a sanção, no final de 2024, da lei que cria o Sistema Brasileiro de Comércio de Emissão de Gases de Efeito Estufa (SBCE) que estabelece o marco regulatório do mercado de carbono no Brasil.


Para a PwC Brasil, isso pode significar que o país tem potencial para gerar 370 milhões de toneladas de créditos de carbono até 2030, um volume que supera em nove vezes a demanda doméstica estimada (entre 17 e 72 milhões de toneladas).


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